Trader Profissional – Sócio-Fundador da Leandro & Stormer
Economista e Ceo da RICAN Consultoria Empresarial – Colunista da revista Isto É – Debatedor e um dos apresentadores do programa Manhattan Connection da Globo News
Diretor de Operações da BM&FBOVESPA
Analista Técnico da Link Trade – Autor do livro Análise Técnica: Teorias, Ferramentas e Estratégias
Ricardo Borges – Analista e Consultor de Mercado – Diretor da Projeção Consultoria Financeira
Analista Técnico da Alpes Corretora – Colunista e condutor do Fórum de Mercado FG / WIN
Escritor – Autor do livro: Investindo em Small Caps – Um roteiro completo para se tornar um investidor de sucesso.
Trader Profissional – Sócio-fundador da Leandro & Stormer – Autor do livro: Táticas Operacionais de Posição em Ações
Psicanalista, Escritora e Diretora Executiva da Moddo. Autora dos livros “As armadilhas do consumo” e “O desafio da independência, financeira e afetiva”
Analista Técnico, Sócio-diretor da Enfoque e Presidente da ANAT – Associação Nacional dos Analistas Técnicos.
Leandro Ruschel

Trader Profissional

Sócio-Fundador

da

Leandro&Stormer









“É preciso desenvolver um grau maior de autoconhecimento para dominar o mecanismo de formação do medo ou o processo de estímulo e recompensa que pode mudar os objetivos buscados no mercado”

“A grande vantagem da Análise Técnica é a sua universalidade. Eu posso aplicar as mesmas técnicas em qualquer mercado do mundo, desde que esse mercado tenha liquidez e seja livremente negociado”


“O mercado está em correção de longo prazo. Tivemos cinco anos e meio de alta e desde 2008 estamos em correção. Não há sinal por enquanto de retomada do movimento ascendente e pelo ciclo histórico há a possibilidade de permanecer em correção até o final de 2012”







 












Por: Fernando Biondi | 29 de maio de 2011

Há investidores e traders. Aqueles que investem objetivando prazos operacionais mais extensos, tornando-se sócios das empresas, na expectativa da valorização das suas ações ao longo do tempo, e os especuladores de mercado, conhecidos como traders, que buscam operar as tendências curtas e lucrar com a constante volatilidade do mercado. Ou seja, ao trader importa menos os fundamentos da empresa e mais a direção dos preços dos papéis.

A Análise Técnica tornou-se popular especialmente por atender ao grupo de pessoas que operam visando o curtíssimo e curto prazo, em razão da praticidade das avaliações para definir padrões dos movimentos dos preços a partir da utilização de gráficos e indicadores. A Leandro&Stormer, soube capitular milhares de interessados em operar no mercado de capitais fazendo uso das operações de curtíssimo e curto prazo utilizando-se da AT, centrando a maior parte dos seus serviços oferecidos para qualificar e melhor direcionar as decisões de iniciantes e profissionais quanto as suas estratégias e definições do melhor momento para a compra e venda de ações e derivativos.

Formado em Engenharia Mecânica pela UFRGS, Leandro Ruschel, fundador da Leandro&Stormer, atua no mercado há mais de dez anos, e hoje a sua empresa conta com mais de setenta mil membros cadastrados, sendo um dos traders mais conhecidos e conceituados do país. Foi colunista da InfoMoney, onde publicou vários artigos com temas correlacionados com a sua atual área de atuação e regularmente, juntamente com a sua equipe, ministra cursos sobre análise técnica por todo o país.

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No Brasil é crescente o número de pessoas que ingressam no mercado de capitais com o intuito de realizarem operações curtas, em busca de lucros rápidos. Como o Sr. avalia esta concepção de operar, objetivando períodos curtos, como day trade, swing trade e position trade?

É uma possibilidade que o mercado oferece e de fato pode ser muito lucrativo operar dessa forma, desde que o trader esteja preparado para fazer tais operações. Operar o mercado é bem diferente de investir no mercado e requer o entendimento da dinâmica dos preços. Tal dinâmica pode ser compreendida pela Análise Técnica. Além disso, é necessário desenvolver uma estratégia que defina os pontos de entrada e saída do mercado além do quanto será arriscado em cada operação. Infelizmente não é dessa forma que a maioria dos traders inicia suas operações. Muitos enxergam na bolsa uma forma rápida e fácil de ganhar dinheiro. Quem tratar a bolsa de valores dessa forma vai acabar perdendo no final das contas. Às vezes o mercado oferece esse tipo de ganho em fortes tendências de alta, quando qualquer um comprando qualquer coisa ganha dinheiro. Mas quando o mercado vira, o sujeito que ganhou pela sorte de estar dentro de um mercado de alta acaba devolvendo tudo ou mais.

O que é necessário para a boa formação de um Trader e quanto tempo o Sr. estima para que o mesmo se torne um profissional qualificado?

Para ser um bom trader é necessário entender que existem duas realidades diferentes no mercado: a realidade do investimento e a realidade da especulação. O investidor busca ativos de valor, quer ser sócio de uma empresa porque confia nos seus gestores, no seu negócio e acredita que será premiado com uma correta distribuição de lucros entre os controladores e os minoritários. O investidor vai buscar informações nos balanços e no cenário econômico com foco no longo prazo. Ele busca ativos que estão “baratos” e quer transformar esses ativos em patrimônio. O especulador não liga para esses aspectos. Ele quer comprar barato e vender caro, ou vender caro e recomprar barato, nada mais. Para fazer isso de maneira bem sucedida ele deve seguir uma lógica totalmente diferente do investidor e focar no movimento dos preços. O que importa é identificar o padrão de movimentação e explorá-lo. Esse é o ponto de partida para o trader. Dominar essas técnicas leva algum tempo. Como em qualquer outra profissão, não é possível aprender isso de um dia para o outro. Depende do talento e do perfil de cada um. Já vi pessoas operarem muito bem após seis meses de mercado, enquanto outras nunca conseguirão, porque não tem o perfil adequado. Mas sem muita dedicação e disciplina é impossível alcançar a consistência de resultado.

Quais são as características necessárias para se tornar um Trader vencedor?

A principal característica é o controle emocional. Para ganhar no mercado é necessário fazer exatamente o contrário do que o nosso instinto de sobrevivência diz e isso não é algo fácil de ser feito. É comprar quando todos estão com medo e vender quando a massa está eufórica. Raciocínio lógico, facilidade com números, organização, paciência, perseverança e disciplina são outras características importantes.

E o que pode ser feito para que o trader tenha melhor controle emocional, possibilitando-o combater ou atenuar essas agitações psicológicas?

É preciso desenvolver um grau maior de autoconhecimento para dominar o mecanismo de formação do medo ou o processo de estímulo e recompensa que pode mudar os objetivos buscados no mercado. O sujeito que está com medo passará a operar para evitar a dor, o que criará um ciclo de auto-engano para diminuir o stress, levando a mais prejuízos. Aquele que opera pela adrenalina gerada por essa atividade também terá dificuldades.

Outro ponto importante é desviar o foco do resultado financeiro. O foco deve estar em produzir a melhor estratégia. Fazer a melhor entrada e a melhor saída. Se o trader conseguir fazer isso, a pressão emocional diminui automaticamente.

Por último, devemos questionar as crenças que envolvem o dinheiro e o sucesso. Muitas pessoas sofrem influências culturais negativas ao longo da vida e acabam criando crenças contrárias à riqueza. Pior, muitas vezes essas crenças são inconscientes. Por exemplo, existe um preconceito muito grande com o especulador, totalmente injusto. Mas se o trader de fato acreditar que especular no mercado é algo errado, ele vai criar uma forma de se boicotar. Então é um dos pontos que precisa ser trabalhado, mudar essa crença que quase todos têm. O especulador é o sujeito que arrisca o seu capital com objetivo do lucro. É ele que movimenta toda a estrutura econômica responsável pela evolução humana. Na maior parte das vezes ele arrisca e perde! Como então pode haver esse ranço contra o especulador? Quando há uma tendência de alta no mercado, ninguém reclama dos especuladores, mas quando há uma queda, a culpa é de quem? Do especulador. Esse é só um exemplo de como um trader pode ter na sua estrutura mental crenças contrárias ao lucro e nem se dar conta disso.

Análises Técnica e Análise Fundamentalista. Quais os prós e os contras de cada uma dessas escolas?

A grande vantagem da Análise Técnica é a sua universalidade. Eu posso aplicar as mesmas técnicas em qualquer mercado do mundo, desde que esse mercado tenha liquidez e seja livremente negociado. Pode ser uma ação no Brasil ou o mercado futuro de batata na Polônia. Se tiver gráfico, posso operar! A desvantagem está na quantidade de ferramentas e na subjetividade de algumas delas, o que permite a um analista enxergar aquilo que ele quer ver. Já a Análise Fundamentalista permite que o investidor entenda o que está por trás do preço da ação, se a empresa tem um bom negócio ou não. A grande desvantagem da AF é a falta de exatidão dos dados divulgados pelas empresas. Vimos recentemente o que aconteceu com o Banco Panamericano. Como fazer uma boa análise fundamentalista se houve uma fraude e os dados estavam errados? A AT indicava tendência de baixa nos preços bem antes do escândalo vir à tona…

Como definir as ferramentas, geralmente disponíveis nos softwares gráficos, para melhor balizar as tendências dos preços nos gráficos?

Menos é mais. É preciso entender o que cada ferramenta representa. Com a popularização da Análise Técnica, qualquer um pode ter acesso a um gráfico na web e ler sobre as maravilhas de uma estratégia baseada no rompimento da linha x com a linha y. Não é tão simples assim.

Eu uso um gráfico de candles com volume, médias móveis de 21, 50 e 200 (períodos) sobre os preços, Bandas de Bollinger, IFR (Índice de Força Relativa) e as relações de Fibonacci, além da Volatilidade Histórica. Só isso.

O que é mais relevante para a escolha dos papéis indicados para as investidas rápidas?

É importante entender a dinâmica do mercado, seus ciclos de expansão e retração. Basicamente se você interpretar corretamente a tendência do mercado e operar a favor dessa tendência está com 99% da análise feita. Claro que isso não garante que todas as operações gerarão lucros, mas entre acertos e erros você tem maiores chances de ficar com um saldo positivo.

Existe um período durante o pregão mais favorável para posicionamentos, visando a realização de uma operação day trade ou mesmo swing trade?

Eu inicio as minhas operações de swing-trade no final do pregão, pois há uma confirmação do sinal dado pelo movimento de todo o dia. Existe toda uma lógica de movimentação no intraday que deve ser entendida para montar operações de day-trade. Mas nesse caso o furo é mais embaixo, precisaria de algumas páginas aqui para explicar…

Qual o seu perfil como Trader e qual o tipo de operação o Sr. realiza com mais freqüência?

Eu opero principalmente como swing-trader. São operações de dois a dez dias de duração, com objetivo de ganho entre 3% e 12% por operação e risco correspondente. Também faço day-trades em dias de mercado bem direcional.

Em que momentos o Sr. abre e encerra posições, seja atuando na compra ou na venda de ações?

Abro as minhas posições ao final de cada pregão para swing-trade e o encerramento pode ocorrer em qualquer momento, assim que o meu stop-loss ou stop de proteção é atingido.

Como o Sr. trabalha o seu controle de risco?

Tenho um prejuízo máximo por operação, que varia de 0,5% a 2%. Além disso, não coloco mais de 1/3 do meu capital em cada trade. Tenho limites máximos de prejuízo para toda a carteira. Por exemplo, se todas as minhas operações em aberto forem encerradas no stop-loss, não posso perder mais do que 6% do meu capital operacional. Quando chego nesse limite, não posso mais iniciar nenhuma nova operação naquele mês.

Qual a sua avaliação sobre o desempenho atual do Ibovespa e qual a sua expectativa para o índice para os meses restantes de 2011 e o ano de 2012?

O mercado está em correção de longo prazo. Tivemos cinco anos e meio de alta e desde 2008 estamos em correção. Não há sinal por enquanto de retomada do movimento ascendente e pelo ciclo histórico há a possibilidade de permanecer em correção até o final de 2012. Eu veria um sinal de mudança no cenário no caso do mercado romper o seu topo histórico nos 73.920 pontos.

Qual a sua projeção, relativo às tendências, para as ações preferenciais das empresas Petrobras (PETR4) e Vale (VALE5)?

Minha expectativa é de manutenção de pressão vendedora por enquanto. A VALE5 tem uma tendência de alta mais consistente no longo prazo, já a PETR4 desde a capitalização apresenta uma clara tendência de baixa, sem conseguir fazer maiores movimentos positivos. Essa tendência pode mudar, mas no momento tenho gerado lucros operando esses ativos na ponta vendedora.


Ricardo Amorim

Economista e CEO da RICAM Consultoria Empresarial

Colunista da Revista Isto É Apresentador do programa Manhattan Connection da Globo News
“Existem perspectivas consideravelmente favoráveis para o longo prazo, entretanto deverá haver durante o percurso algumas pedras pelo caminho. Aliás, pedras grandes, e não deve demorar muito”
“No mercado, é importante desconfiar do senso comum, que geralmente está errado. Por que as pessoas reagem como manadas e isso têm algumas implicações”
“Acho que ficou mais ou menos claro que a troca de comando na Cia. Vale foi em função da posição do governo federal contra o presidente anterior. Vejo isso com grande preocupação, assim como devem estar preocupados os acionistas da empresa”

Por: Fernando Biondi | 01 de maio de 2011

Economista formado pela USP e pós-graduado em administração e finanças internacionais pela ESSEC de Paris, Ricardo Amorim é CEO da RICAM Consultoria empresarial, colunista da revista Isto É e um dos apresentadores do programa Manhattan Connection da Globo News. Com passagens pela Europa, EUA e atualmente com escritório em São Paulo, Amorim trabalha na indústria financeira desde 1992, atuando como consultor financeiro e de investimentos, além de proferir regularmente palestras sobre negócios e economia mundial com abordagens sobre tendências globais e brasileiras. Exerceu cargo na diretoria do banco WestLB nos EUA e como CEO da Concórdia Asset Management no Brasil, dentre outras instituições.

Na entrevista Amorim expõe suas expectativas para o mercado acionário brasileiro para o curto, médio e longo prazo e discorre sobre commodities, investimentos, mercado global e setores da economia brasileira candidatos a promissores para os próximos anos.

Qual a sua expectativa para o mercado acionário brasileiro para o Curto, Médio e Longo Prazo?

O mais provável é que nas próximas semanas o mercado continue a ter o mesmo comportamento que ele teve nos últimos meses, ou seja, ficar andando de lado. Na verdade, faz mais de um ano que o mercado brasileiro anda de lado e acho bastante provável que o curto prazo mantenha desempenho parecido.

No médio prazo, e por médio prazo considero aqui até o final deste ano, eventualmente até o começo de 2012, acredito que o mercado irá cair, porque a crise européia deve piorar, e provavelmente muito. Deve se tornar uma crise global, e na medida em que ela se transforma em crise mundial, acontecerá como no final de 2008, com mercados acionários em baixa, e baixa forte e rápida.

Avaliando o longo prazo, alguns anos à frente, acredito que a tendência será de alta, e provavelmente uma alta muito generosa, em razão de alguns fatores importantes. O primeiro é que cada vez mais a economia mundial é influenciada por países emergentes, em particular Índia, China e Brasil. No ano passado esses países foram os que mais cresceram no mundo. Isso significa que teremos cada vez mais uma demanda maior por matéria-prima. No caso da bolsa brasileira, é grande o peso das empresas produtoras e exportadoras de matéria-prima; o bom desempenho das commodities levará a Bovespa a novos patamares históricos. O segundo fator é que acredito que teremos uma resposta a essa crise que deve se aprofundar nos países ricos ao longo dos próximos trimestres. Teremos como resposta os bancos centrais desses países tendo que estimular as suas economias, disponibilizando ainda mais dinheiro nos mercados. A conseqüência disso será um processo de alta muito forte nos mercados acionários emergentes, e em particular o brasileiro.

Essa resposta nos remete a próxima pergunta: Qual a sua avaliação sobre as commodities, em especial as das empresas com ações negociadas na Bovespa?

Sim, mas como comentei, acho que antes de atingirem níveis de cotações bem mais altos do que os atuais, muito provavelmente veremos as commodities com valores bastante abaixo do que os preços praticados atualmente; isso em razão da crise européia. O que eu diria é que existem perspectivas consideravelmente favoráveis para o longo prazo, entretanto deverá haver durante o percurso algumas pedras pelo caminho. Aliás, pedras grandes, e não deve demorar muito.

Quais os setores da economia brasileira o senhor destacaria como promissores para os próximos anos?

São vários, como por exemplo, os setores dependentes de crédito. Como disse anteriormente, uma das conseqüências desse aprofundamento da crise dos países ricos será a disponibilidade em abundancia de dinheiro. Durante a crise européia, será o contrário. Faltará dinheiro e esses mesmos setores que acredito que serão os melhores para os próximos anos, devem ser os mais afetados durante o momento de crise intensa, assim como ocorreu em 2008. Em particular, o setor mais dependente de crédito pra conseguir efetuar vendas é o imobiliário, além daqueles que tem produtos com valor unitário alto, como os da indústria automotiva. São expectativas ruins para o curto e médio prazo, mas positivas para o longo prazo.

Outro setor, o de commodities e agro-negócio também se benificiará da forte demanda proveniente do mercado global, em especial dos países muito populosos como China e índia. Nesses países, são mais de dois bilhões de pessoas, a grande maioria pobres, e quando começarem a melhorar o nível de vida vão consumir mais alimentos, assim como matéria-prima para a construção de cidades, visto que ainda são dois países rurais, mas já em fase de crescimento econômico.

O terceiro foco que destaco é o de consumo doméstico, em particular o de consumo de massa. Há um processo importante no Brasil de emergência social que deve continuar e, pessoas que antes tinham pouco poder de compra estão aumentando seu poder aquisitivo, em conseqüência, consumirão cada vez mais. Esse processo deverá continuar nos próximos anos.

Como devem proceder as pessoas que não detêm experiência, mas que desejam investir parte dos seus rendimentos?

Existem várias maneiras, uma delas é repassar a tarefa do investimento para um profissional qualificado. É possível também aplicar através de um fundo de investimento ou mesmo a partir das próprias corretoras que realizam análises de mercado e dão recomendações. Essas são formas mais rápidas para aplicar com melhor eficiência.

Outra situação é começar a fazer suas próprias aplicações, de preferência com valores pequenos, para que possa entender que parte dos erros que certamente serão cometidos é natural do processo inicial. Poderá assim melhorar a educação financeira e aprimorar seus métodos de investir, ganhando confiança para novas aplicações ao longo do tempo, e quem sabe, até mesmo de maneira mais significativa e agressiva.

Qual o momento ideal para ingressar no mercado?

É importante desconfiar do senso comum. O que determina os preços de mercado é basicamente a soma das opiniões dos investidores; aprendi, ao longo dos vinte anos trabalhando nesta área, que o senso comum geralmente está errado, por que as pessoas reagem como manadas e isso têm algumas implicações. Uma delas é que normalmente muitos investidores compram ações após as mesmas já terem valorizado consideravelmente. Da mesma maneira, costumam vender depois de que os ativos já desvalorizaram demais. É comum, após fortes altas, que os preços estejam próximos do pico, e quando caíram demais podem estar próximas de uma base para retomar a alta.

Citando um exemplo prático, lembro-me que no final de 2008, o Ibovespa estava em 33.000 pontos, depois de ter caído até valores pouco abaixo dos 30.000 pontos, e fiz recomendações de compra. Disse basicamente que deveria ter um movimento muito forte de alta e poucas pessoas acreditaram na recuperação. Quando a bolsa estava próxima de atingir os 50.000 pontos, ou seja, já havia subido consideravelmente, então muitas pessoas e investidores entraram no mercado.

O que quero dizer com isso, é que quando a maior parte das pessoas estiver com medo, provavelmente esteja surgindo uma boa oportunidade de compra, e quando a maioria dos investidores estiverem eufóricos, então pode ser a hora de ficar preocupado com uma possível reversão da tendência, de um mercado de alta para baixa.

O ouro vem renovando máximas históricas no mercado global e o Dólar perdendo força. Qual a sua expectativa para a trajetória da commodity e da moeda norte-americana?

O ouro deve continuar em elevação nos próximos meses, talvez até mesmo nos próximos anos, em função de ser um ótimo mecanismo de proteção contra incertezas, em particular contra a preocupação de inflação. Os governos dos países ricos devem injetar muito dinheiro no sistema financeiro global, com isso os receios de uma possível alta da inflação devem crescer ao longo dos próximos anos, levando a cotação da commodity a subir mais ainda. Como o ouro está em um processo de alta a quase uma década, e os preços bem mais elevados, certamente ficará num nível de preço tão alto daqui alguns anos, que sofrerá queda abrupta e rápida, após tanta valorização. Mas acho que isso ainda está longe de acontecer, porque o movimento do ouro nos próximos trimestres e poucos anos a frente deve ser de alta.

Quanto ao Dólar, esse processo de queda tem a ver também com a emissão desta moeda pelo banco central dos EUA. Nos últimos três anos o BC americano quadruplicou a quantidade de Dólares. Na base monetária americana, a moeda é um produto como outro qualquer, que responde a lei da oferta e demanda. Se você quadruplica a oferta de um produto, o preço cai; foi exatamente o que ocorreu com o Dólar, que deverá continuar sua trajetória de baixa ao longo dos próximos anos.

Com o agravamento da crise européia, transformando-se numa crise global, e porque o maior mercado de moedas seja o do Dólar, assim como ocorreu em 2008 / 2009, poderá subir muito em um período curto, de alguns meses, e não de anos. Poderá subir rapidamente, para depois voltar a seu movimento de queda. Na realidade, o Dólar está em queda no Brasil e no mundo desde 2002. Essa queda foi temporariamente revertida no final de 2008 e posteriormente voltou a cair. Ou seja, continua em queda até que a crise européia se agrave, então sobe rapidamente e depois volta ao processo de baixa nos próximos anos.

Neste caso de continuidade da queda, há risco do Dólar não permanecer como moeda para lastrear contratos futuros?

Acho difícil. As chances de isso acontecer nos próximos poucos anos são pequenas, mas as possibilidades de ocorrer nas próximas décadas são imensas. Ainda não há uma alternativa viável para substituir o Dólar, principalmente porque os outros países ricos com moedas fortes, como Japão, Inglaterra, Suíça ou mesmo a Europa, tem problemas parecidos com os dos EUA.

Não devemos ver nenhum desses países se fortalecendo, o que faz com que eles não sejam alternativas viáveis, e por outro lado, as moedas dos países emergentes têm se fortalecido, mas não tem ainda moedas com credibilidade suficiente, e nem mesmo mercados fortes o suficiente para receberem o montante de dinheiro que seria necessário, e em vários casos tem dificuldades estruturais de convertibilidade.

O principal candidato a substituir o Dólar é o Yuan Chinês, porém essa moeda, devido a uma série de restrições de fluxos de capitais na China, não tem condição absolutamente nenhuma de exercer esse papel. Vamos caminhar nessa direção, mas será um processo demorado e provavelmente ocorrerá apenas após algumas décadas.

Recentemente houve troca de comando na Companhia Vale, com rumores de interferência do governo federal. Qual a sua opinião sobre o episódio?

Acho que ficou mais ou menos claro que essa troca de comando foi em função da posição do governo federal contra o presidente anterior da Vale (Roger Agnelli). Vejo com grande preocupação, assim como devem estar preocupados os acionistas da empresa.

Se eu estiver certo quanto a intensificação da crise européia, as ações que subiram muito serão as que mais vão sofrer, então acho que, por hora, essa é a maior preocupação. Mas também é preocupante essa intervenção governamental, especialmente para o longo prazo. Pode prejudicar até mesmo na variação dos preços das ações da Petrobras, em razão da ingerência governamental. Mas no curto prazo há outros fatores que podem ter papel mais determinante.

André Eduardo Demarco

Diretor de Operações da BM&FBOVESPA

Operações cursadas em mercados futuros devem ser muito bem pesquisadas pelos investidores, dado que seus riscos são maiores…
“O processo de educação financeira e formação do conhecimento em mercados de capitais têm sido muito importantes para a BVMF em seus programas de popularização do mercado”
“Estamos conduzindo em parceria com a ajuda do departamento de tecnologia da informação e da Chicago Mercantile Exchange o desenvolvimento de uma nova plataforma de negociação…”

Por: Fernando Biondi | 27 de junho de 2010

O Megabolsa, centro de negociação eletrônico da BM&F BOVESPA apresenta padrão tecnológico similar às maiores   Bolsas de Valores internacionais. Conectado aos brokers das corretoras, oferece o suporte necessário para que investidores e traders possam efetuar seus negócios em velocidade espantosa. Isso em razão das facilidades oferecidas pela internet, motivo maior para que deixasse de existir os pregões viva-voz, aonde centenas de operadores, que no auge chegou a somar mais de 1000 profissionais cadastrados, se amontoavam para efetuarem as negociações.

Percebe-se o tamanho da responsabilidade do André Demarco, profissional responsável pelo departamento de operações da bolsa brasileira que, além da necessidade de buscar aprimoramentos tecnológicos constantes, tem que conviver com os dissabores, porventura o sistema venha travar, situações essas que exigem respostas imediatas para solucionar os problemas. A entrevista foi conduzida de maneira a privilegiar investidores recém ingressados na renda variável, abordando temas pouco comuns aos mesmos, como por exemplo, after market e o mercado de alta freqüência, dentre outros.

Quando o senhor iniciou as atividades na BM&F BOVESPA e quais as suas atribuições nesse período?

Iniciei minhas atividades em dezembro de 1991 e desde 2001 assumi o controle da área de operações. Em 2008 passei ao cargo atual que é Diretor de Operações da BM&FBOVESPA responsável pela administração das quatro plataformas de negociação, abrangendo renda variável, derivativos e futuros e renda fixa pública e corporativa.

Em que consiste o departamento de Operações da BM&F BOVESPA?

O departamento em conjunto com suas quatro gerências tem a responsabilidade de conduzir e aplicar as regras de regulação e auto-regulação em toda a negociação que seja registrada na BM&FBOVESPA.

Que mudanças significativas ocorreram na sua gestão?

O processo de eletronificação se consolidou e a BVMF passou a ser uma Bolsa totalmente eletrônica, sendo a terceira maior Bolsa em valor de mercado.

Que aprimoramentos ou novidades tecnológicas estão em curso ou em fase de estudos?

Estamos conduzindo em parceria com a ajuda do departamento de TI (tecnologia da informação) e da CME (Chicago Mercantile Exchange), nosso parceiro tecnológico, o desenvolvimento de uma nova plataforma de negociação que substituirá as quatro plataformas atuais. O projeto está dividido, sendo que sua última fase deve ser concluída em 2012.

Qual a finalidade dos leilões que ocorrem na abertura e encerramento de cada pregão, como são realizados e quais os critérios para estabelecer os valores finais?

Todo e qualquer leilão tem como finalidade principal estabelecer o preço para o ativo no qual ele está sendo realizado. Os leilões, por serem realizados em momentos de destaque do dia de negociação, têm por finalidade estabelecer os preços de abertura e de fechamento dos ativos de forma transparente e equitativa. O critério para estabelecer o preço de um leilão segue os seguintes princípios: 1 – o preço estabelecido será aquele no qual a maior quantidade de ações for negociada; 2 – o preço estabelecido será aquele no qual a menor quantidade de ações deixe de ser atendida; e 3 – o preço estabelecido será aquele que mais se aproximar do último preço negociado do ativo.

Algumas vezes as negociações de determinada ação sofrem paralisações no decorrer do pregão regular. Em que condições os ativos são ‘congelados’, exigindo novo leilão posteriormente?

As condições de interrupção da negociação durante a sessão de negociação do pregão regular estão fundamentadas em três pilares: Desvio do preço de negociação; Tamanho do lote de ações a ser negociado; e Liquidez do ativo que será negociado.

O que é e como funciona o After Marker?

After Market é uma sessão de negociação que acontece após a realização do pregão regular. Podem ser negociados nesta sessão somente ativos no mercado a vista e que façam parte de uma das carteiras teóricas de índices da BVMF e que também tenham sido negociados durante o pregão regular. Visando não permitir grandes oscilações de preço, a BVMF estabelece que a máxima oscilação de preço durante este horário de negociação é de 2%.

O que é o mercado de alta freqüência? Quais as conseqüências desta tecnologia para o mercado e para o investidor pessoa física que realiza operações visando prazos operacionais menores?

Alta freqüência é um tipo de investidor onde a característica operacional de sua atuação está pautada em várias operações realizadas ao longo do dia de negociação, onde o investidor entra e sai do mercado rapidamente assumindo riscos e aceitando um pequeno spread (diferença de compra e venda) para tomar sua decisão de entrar e sair do mercado. Para o mercado este tipo de investidor é bastante importante pois assume a figura do tomador de riscos ou especulador do mercado, o que traz resultado imediato e benéfico para todo e qualquer outro tipo de investidor, com aumento da liquidez e a redução dos spreads de compra e venda nas telas dos sistemas eletrônicos de negociação.

Contrato e minicontratos, o que são e quais as providências devem ser tomadas para o investidor pessoa física operar mercado futuro? Essas operações estão disponíveis nas corretoras de valores que disponibilizam as transações de compra e venda das ações oferecidas pela Bovespa?

Operações cursadas em mercados futuros devem ser muito bem pesquisadas pelos investidores, dado que seus riscos são maiores pois os contratos em geral têm prazo de negociação pré estabelecido e também porque em mercados futuros existe o procedimento de ajuste diário, o que aumenta a necessidade ou não de capital por parte do investidor. A relação de corretoras que atuam em nossos segmentos estão em nosso website. Em geral as corretoras têm atuação simultânea nos segmentos de ações e de futuros.

O que a BM&F BOVESPA faz para melhor orientar o investidor que inicia no mercado?

O processo de educação financeira e formação do conhecimento em mercados de capitais têm sido muito importantes para a BVMF em seus programas de popularização do mercado.

Circuit Breaker, o que é e em que condição é acionado esse sistema?

Processo estabelecido para interrupção da negociação toda vez que a oscilação do índice Bovespa atingir níveis elevados de oscilação negativa comparado ao índice de fechamento do dia anterior. Os níveis de oscilação e de interrupção do mercado são: - Queda de 10% do índice comparado ao fechamento – interrupção de 30 minutos; - Queda de 15% do índice comparado ao fechamento – interrupção de 60 minutos; e - Queda de 20% do índice comparado ao fechamento – interrupção por tempo indeterminado, com negociação mínima quando do retorno da negociação de 30 minutos.

Como o departamento de Operações pode se proteger de situação similar à que aconteceu nos principais índices dos EUA no dia 06 de maio deste ano, quando em poucos minutos ocorreu queda brusca de aproximados 9%?

Na BM&BOVESPA temos o controle da oscilação de preços no sistema de negociação, de tal forma que em caso de movimentação de preços de forma desordenada e rápida, suspendemos a negociação no ativo e realizamos leilão de prazo mínimo de 5 minutos, dando chance ao mercado de fazer a descoberta do preço do ativo antes da conclusão efetiva do negócio.

Personalidades

Trader Profissional – Sócio-Fundador da Leandro & Stormer
Economista e Ceo da RICAN Consultoria Empresarial – Colunista da revista Isto É – Debatedor e um dos apresentadores do programa Manhattan Connection da Globo News
Diretor de Operações da BM&FBOVESPA
Analista Técnico da Link Trade – Autor do livro Análise Técnica: Teorias, Ferramentas e Estratégias
Ricardo Borges – Analista e Consultor de Mercado – Diretor da Projeção Consultoria Financeira
Analista Técnico da Alpes Corretora – Colunista e condutor do Fórum de Mercado FG / WIN
Escritor – Autor do livro: Investindo em Small Caps – Um roteiro completo para se tornar um investidor de sucesso.
Trader Profissional – Sócio-fundador da Leandro & Stormer – Autor do livro: Táticas Operacionais de Posição em Ações
Psicanalista, Escritora e Diretora Executiva da Moddo. Autora dos livros “As armadilhas do consumo” e “O desafio da independência, financeira e afetiva”
Analista Técnico, Sócio-diretor da Enfoque e Presidente da ANAT – Associação Nacional dos Analistas Técnicos.