Fausto de Arruda Botelho

Analista Técnico

Sócio-diretor da Enfoque

Presidente da ANAT – Associação Nacional dos Analistas Técnicos.

“Aprenda a controlar o risco de cada posição que fizer de maneira que os eventuais prejuízos seja apenas uma parcela muito pequena do seu capital total”

“O investidor será tão mais escravo de um terminal de cotações, quanto menor for o tempo gráfico que acompanha”

“Qualquer profissão requer anos de estudo. Não espere que vá ter sucesso no mercado sem a devida instrução”

Gráfico interativo da Bolsa de Valores, a partir de 1963 (veja aqui)

Há mais de três décadas dedicadas ao mercado de renda variável Botelho é reconhecidamente um dos profissionais bem conceituados do país. Regularmente ministra cursos sobre Análise Técnica e participa frequentemente da Expo Money (SP), seja como palestrante ou expositor. Na entrevista abaixo, aborda vários temas como tendência do mercado, utilização dos indicadores, a preferência pela compra nas proximidades dos suportes, análise técnica e fundamentalista, investidores, além de destacar importantes livros que contribuem para a formação do bom profissional. Atencioso, agregou gráficos do Ibovespa com suas análises. Importante ressaltar que seus estudos foram realizados com os valores indexados em dólar e em escala logarítmica, o que eleva o topo histórico do índice brasileiro a 80.000 pontos e não os 74.000 dos gráficos utilizados habitualmente.

O que o senhor espera para o Ibovespa no curso de 2.010?

Análise de longo prazo (em 23.03.10) do mercado de ações do Brasil:

Minha leitura dos vários conceitos de análise técnica que uso me leva a crer que estamos numa tendência de baixa de longo prazo que pode durar alguns ou muitos anos. A tendência de alta de médio prazo iniciada em novembro de 2008 é no meu entender apenas uma reação da tendência de baixa descrita acima e deve fazer seu topo em algum momento de 2010, projetando os preços para novo teste dos fundos de 2009. Na verdade eu entendo que esse topo já pode ter sido formado no início de janeiro, a julgar pelas indicações técnicas que tivemos até agora, a saber:

Rompimento da reta suporte de médio prazo, curto prazo e curtíssimo prazo, destacadas nos Gráficos 1, 2 e 3.

A característica de topo que toma a acumulação dos últimos meses iniciada em outubro de 2009.

O rompimento do suporte a 60.000 que acredito irá acontecer em breve, confirmaria a análise acima e colocaria os preços inicialmente rumo a seu próximo suporte a 50.000.

Por outro lado um eventual rompimento da resistência do último topo a 73.500 provocaria um novo teste do topo histórico a 80.000…

Gráfico 1 Ibovespa indexado em dólar – escala logarítmica

Gráfico 2 – Ibovespa indexado em dólar – escala logarítmica

Gráfico 3 – Ibovespa indexado em dólar – escala logarítmica

Que importância tem a Análise fundamentalista e a técnica para as operações?

A Fundamentalista está mais ligada a maneira de operar que chamo de “Comprar e Segurar” (Buy and Hold), que é basicamente uma maneira em que se opera “sem stops” pois acredita-se que no longo prazo as ações devem sempre subir. Eu discordo radicalmente desta tese e nos meus cursos mostro que no longo prazo pode-se sim ter prejuízo. Basta analisar o gráfico do índice Nikkei do Japão onde ocorreu um estouro da bolha imobiliária em 1990. Um investidor que comprou ações 2 anos antes do topo, em 1988 e vendeu 20 anos depois teve em média uma perda de mais de 70%. A análise fundamental serve mais para achar as boas ações para serem compradas ou “o que” comprar.

A análise técnica por outro lado é mais utilizada para o timing das operações ou “quando comprar”, embora muitos analistas também use a análise técnica para saberem o que comprar. A análise técnica é mais utilizada pelos investidores que atuam no mercado defendendo sempre as suas posições. São traders que usam o método que chamo de “Com Stops” e que tanto compram como vendem posições (short).

O fato é que as duas análises podem muito bem se complementar e ao contrário do que muitos acreditam, elas podem e devem ser usadas juntas. Usadas juntas o investidor terá uma grande ajuda quanto a descobrir o que comprar e quando comprar, entretanto, existe uma outra variável que entendo como sendo mais importante do que as duas primeiras juntas e que é muitas vezes relegada a segundo plano nos livros, que é quanto comprar.

Essa variável tem a ver com o gerenciamento do capital do cliente (Money management) que por sua vez tem a ver com controle de risco que finalmente tem tudo a ver com a estabilidade emocional do Trader, que no meu entender é o que existe de mais importante para que se consiga sucesso no longo prazo nas operações nos mercados de risco considerando-se que o Trader estará defendendo suas posições, ou seja, operando “Com Stops”.

Os Traders que compram e vendem ações e commodities e que usam na sua grande maioria a análise técnica, são os que se preocupam mais com essa variável já que o tamanho da posição é definido em função do risco e para tal é necessário que antes de operar o nível da ordem de stop já esteja definido. Conforme a distância do stop (geralmente está por volta de 5% do preço de entrada no gráfico diário) o tamanho da posição é definido de tal forma que o eventual prejuízo, caso o stop seja acionado, seja sempre o mesmo: uma pequena parcela do capital total do Trader.

O que dizer dos investidores que se livraram das perdas ou até mesmo auferiram lucros, justamente porque não liquidaram suas posições quando os mercados caíram. Como vê essa questão?

Não existe maneira mais fácil de ganhar dinheiro na Bolsa de Valores do que através do método “Comprar Segurar”, quando os mercados estão subindo, entretanto, infelizmente, essa é também a maneira mais fácil de perder dinheiro, quando os preços caem. Da última vez os preços caíram 60% e recuperaram rapidamente até o ponto em que atualmente, em março de 2010 estamos muito próximos do topo de maio de 2008. O que acontecerá, entretanto se a minha análise (e de outros renomados analistas) estiver certa é que esses investidores que estão hoje no mercado operando pelo método “Comprar e Segurar” (Sem Stops) não irão liquidar suas posições e se os preços caírem por mais de 10 anos como já ocorreu no Brasil em 1971 e está ocorrendo atualmente no Japão, eles irão amargar um grande prejuízo caso precisem do dinheiro neste período. No Japão, depois do estouro da bolha imobiliária de 1990 os preços ainda estão caindo.

É interessante que os investidores que operam na base de “Comprar e Segurar” se auto denominam conservadores quando uma análise mais imparcial mostra que eles são na verdade os grandes “jogadores”, uma vez que são eles que fazem a “grande aposta”, já que, se no longo prazo der errado, eles se arriscam a perder uma parcela muito grande do seu capital.

As notícias respondem aos gráficos, ou os gráficos seguem as notícias?

As notícias estão embutidas nos gráficos! Um gráfico nada mais é do que o espelho do comportamento do que eu chamo de Massa. A Massa é a média das opiniões de todos os participantes do mercado, ponderada em função do poder de fogo de cada participante. É a Massa que comanda os preços de qualquer ativo e os gráficos espelham o comportamento da Massa. Quando eu olho um gráfico entendo que estou interagindo com o comportamento da Massa. Essa interação visual que faço como analista técnico muitas vezes me dá indicações absolutamente lógicas sobre o comportamento futuro da Massa (ou dos preços).

Considerando-se que a Massa age nos mercados depois de tomar conhecimento de todos os fatores fundamentais que são de conhecimento público e, ainda, que da Massa participam os chamados “Insiders” (aqueles que operam com informações privilegiadas), pode-se concluir que ao olhar um gráfico, o analista técnico está considerando, ainda que indiretamente, todos os fatores fundamentais que são do conhecimento público e mais aqueles fatores que só são do conhecimento dos “Insiders”. Por essa razão muitos analistas técnicos abstêm-se de analisar fatores fundamentais por entenderem que se o fizessem, estariam analisando o fator em duplicidade, já que seja ele qual for, já está embutido nos preços.

Posso afirmar com muita certeza que os gráficos comandam o processo, pois as noticias assim como nós as conhecemos, via, rádio e televisão e até as agências de notícias em tempo real, são muito atrasadas em relação ao mercado. Há um dito popular nos mercados que diz que se deve “Comprar no boato e vender no fato”, isso porque quando a notícia vem os mercados geralmente já haviam descontado seus efeitos em função da expectativa da notícia e quando ela chega, muitas vezes a influência sobre os mercados é inversa.

Quais setores ou ativos destacaria para curto médio e longo prazo?

Para compra que é o que subentende a pergunta nenhum, pois estou bastante pessimista em relação ao comportamento futuro dos preços das ações no Brasil. Acredito que a crise nos EUA não acabou e que os preços das ações lá irão cair abaixo dos últimos fundos (março de 2009 nos EUA) e quando isso ocorrer, os preços irão cair ainda mais aqui no Brasil. Não se consegue precisar exatamente quando isso vai ocorrer, mas acredito que na verdade já está ocorrendo como parece estar mostrando a alta recente do dólar e do VIX, o índice de volatilidade dos mercados.

Em seus mais de 30 anos de mercado havia presenciado crise similar a esta última?

Sim, sendo que pelo menos até agora a atual crise ainda é bem menor do que as duas anteriores. Com base no gráfico do Ibovespa indexado em Dólar, a crise atual resultou em uma queda de 72% e até agora está durando pouco menos de 2 anos, nada comparado com as duas últimas.

Em 1986 a Bovespa (indexada em dólares) caiu 89% em um ano e meio, recuperou a partir de início de 1988 e até junho de 1989 quando ocorreu o caso Naji Nahas mas não conseguiu fazer um novo topo e depois caiu de novo até início de 1991 quando um novo fundo foi atingido, perfazendo uma queda de 1986 a 1991 de 91%. A queda a partir do topo de 1986 foi, portanto de quase cinco anos, de abril de 1986 a janeiro de 1991 e a bolsa brasileira demorou quase oito anos para chegar novamente no topo de 1986, o que ocorreu somente no início de 1994.

Em 1997 após a crise da Ásia baseado no mesmo gráfico acima, o Ibovespa caiu inicialmente 75% até início de 1999 quando “pegou carona” com a alta das ações “.com” tendo subido até o estouro da bolha do Nasdaq em 2000, onde ocorreu um topo inferior ao de 1997. A seguir os preços caíram de novo, desta vez 80% até um fundo ocorrido em outubro de 2002, bem inferior ao de 1990. O resultado é que a queda de 1997 a 2002 foi de 83% e os preços demoraram novamente oito anos para voltar ao topo de 1997.

Como se vê essa crise foi pelo menos por enquanto bem menor do que as últimas duas. Eu falo por enquanto porque conforme já falei acima acredito que a crise ainda não acabou e que como ocorreu nas duas últimas, teremos o Ibovespa fazendo novas mínimas antes de romper o topo de maio de 2008 que, aliás, está bem perto dos níveis atuais de preço.

Qual período gráfico considera mais importante para as operações?

Em meus cursos costumo dizer que o investidor será tão mais escravo de um terminal de cotações, quanto menor for o tempo gráfico que acompanha. Em meu entender, é péssimo para o estado emocional de qualquer Trader acompanhar os mercados o dia todo, olhando para um terminal de cotações. Considere que eu posso falar isso com muita propriedade, pois minha empresa tem como produto principal um terminal de cotações.

Existem coisas que a vida proporciona que reputo como muito melhores do que passar o dia inteiro (são 8 horas de pregão todo dia) com os olhos “pregados” em um terminal de cotações. Fazer esporte para citar uma dentre várias.

A recomendação que faço para meus alunos é a de que operem no gráfico diário, no qual os “ruídos” são menores e pode-se ter uma boa idéia das tendências de médio e longo prazo. Os stops ficarão mais longe de seus preços de entrada, mas usando-se um bom método para controle de risco tal como o “Método ComStop” (antigo Método Enfoque), o resultado do eventual sucesso pode ser o mesmo ou até maior do que operando muito mais vezes com gráficos Intraday.

Como melhor compor uma carteira para Longo Prazo?

Não sou adepto de se operar no curto, médio ou longo prazo. Na verdade opero no “prazo do mercado”. Se comprar um ativo hoje e o Osama Bin Laden resolver sair da toca e derrubar um prédio, minha operação será um Day Trade já que os preços irão cair e a minha ordem de stop será acionada. Se por outro lado eu tivesse comprado a Cia. Siderúrgica Nacional em janeiro de 2003 eu teria ficado comprado por meses ou anos já que a ação praticamente só subiu nessa época.

Na verdade usamos no Método ComStop um processo de ir melhorando os nossos stops (o stop é mantido abaixo do segundo suporte no gráfico intraday de 15 minutos) de tal forma a ir diminuindo constantemente o risco enquanto o stop está abaixo do preço de compra (no caso de uma operação de compra) e aumentando o lucro quando o stop já está acima do preço de compra e deixamos que o Mercado liquide nossas posições.

Deve-se levar em conta que não opero da maneira “comprar e segurar” (buy and hold) e sim defendendo minhas posições com ordens de stop.

Para quem opera na base do “buy and hold” (o que eu não recomendo em função do risco envolvido), sugiro sempre buscar as ações que pagam bons dividendos pois se tudo der errado, sobram os dividendos ressaltando que para tal é necessário que a empresa continue dando lucro.

Como são ministrados os seus cursos e o que os alunos aprendem de mais relevantes?

O que existe de mais importante em nossos cursos é o fato de que os alunos aprendem um processo completo para se operar nos mercados de renda variável que tem começo meio e fim. – Ensinamos a nossa análise técnica, conseguida através da experiência de mais de trinta anos praticando nos mercados. Nossa análise é muito simples, sem complicação e voltada para o Método ComStop.

O Método ComStop é muito simples pois tem apenas dois itens que são:

Limitar a perda máxima por operação: define-se para tal o tamanho da posição em função da distância do stop em relação ao preço de entrada.

Operar com as chances a favor: escolhe-se as operações no quesito potencial de lucro contra prejuízo, cujo default é 4 x 1. – Usa-se a estratégia de melhorar os stops para minimizar constantemente o prejuízo e maximizar o lucro.

Quando se opera com as chances a favor, a análise técnica fica mais leve. Sabe-se que se pode errar no universo micro mas no universo macro, ao longo de várias operações a estatística deve funcionar e com ela o sucesso.

Quais seriam os limites de ganhos e /ou perdas para índice Ibovespa no MP?

Acredito que o Ibovespa tem muito pouco para subir já que está próximo dos níveis mais altos que costuma atingir e por outro lado muito para cair, pelo mesmo motivo que pode ser visualizado facilmente no Gráfico 4 abaixo.

A linha verde pontilhada é a divisa entre operar sem proteção das ordens de stop ou operar com proteção. No momento estamos muito próximos da linha azul pontilhada de cima, que costuma ser o limite máximo que os preços chegam antes de quedas espetaculares. Conclusão: não é hora de se estar nos mercados sem a proteção de ordens de stop.

Note também um detalhe descoberto pelo meu filho Filipe: as retas em vermelho traçadas a partir dos topos de 1971; 1986; 1997 e 2008 são paralelas. Dá o que pensar, não é mesmo? Tem sido esse exatamente o rumo de baixa que as tendências de longo prazo respeitaram. É esperar para ver se agora será diferente. Não creio, a julgar pelo que me parecem estar indicando, os gráficos 1,2 e 3!

Gráfico 4 – Ibovespa indexado em dólar – escala logarítmica

As melhores compras são realizadas nos suportes ou após os preços venceram resistências?

Sempre prefiro comprar perto de um suporte contra comprar após o rompimento de resistências, pois no primeiro caso o stop certamente fica mais próximo e usando o Método ComStop posso comprar uma quantidade maior do ativo com o mesmo risco. Isso significa que meu potencial de lucro na operação em questão sobe e minha estatística trabalha com mais folga para garantir o meu sucesso no longo prazo.

Eis as minhas regras para comprar perto de um suporte:

1) Espere o mercado lhe dizer que está encontrando suporte. Essa reta horizontal traçada no seu gráfico por você, que coincide com topos e ou fundos históricos é onde você “acha” que o mercado deve encontrar suporte. Contenha a sua ansiedade e espere que ele, o Mercado lhe diga onde exatamente (em que nível exato de preço) está encontrando o suporte em questão.

2) Espere mais um pouco (que significa conter ainda mais a sua ansiedade) para que o mercado lhe diga ainda que não vai romper o suporte. Ele lhe dará essa informação com uma boa formação de candlestick.

3) Só então compre e tenha a satisfação, a seguir, de perceber que o seu stop poderá ser colocado logo abaixo do suporte em questão, ou seja, muito próximo do seu preço de compra.

Que conselhos o senhor daria para investidores recém ingressados no mercado?

Qualquer profissão requer anos de estudo. Não espere que irá ter sucesso no mercado sem a devida instrução. É claro que existe um “know how” que tem que ser dominado para se ter sucesso. Nos mercados entretanto a grande maioria dos principiantes tendem a achar, por diversos motivos, que é simples operar e ter sucesso. Ledo engano eu posso afirmar!

Se você vai mesmo se aventurar sem ter uma instrução bem maior do que a que pode lhe trazer um curso de um final de semana, então pelo menos faça um seguro contra perder uma parcela muito grande do seu capital ou até mesmo o seu capital todo (e muitas vezes até mais do que o capital inicial como já vi acontecer diversas vezes). Para esse caso, aqui vão as minhas recomendações:

• Aprenda a gerenciar o seu capital, o que os americanos chamam de “Money management”

• Aprenda a controlar o risco de cada posição que fizer de maneira que os eventuais prejuízos sejam apenas uma parcela muito pequena do seu capital total. No Método ComStop perdemos apenas 0,5% do nosso capital total em cada operação que fazemos enquanto buscamos uma taxa de rentabilidade anual de 30%.

. Tenha em conta que se perder 20% do seu capital, precisará ganhar ¼ do novo capital (25%) somente para voltar a ter o capital inicial e isso é o que os profissionais ganham no período de um ano!

Quais indicadores de tendência considera mais eficientes?

Retas de suporte ( que alguns autores chamam de LTA) e retas de resistência (LTB) e o maior histórico possível do ativo em questão para poder ver a oscilação dos preços “de helicóptero”. Eu gosto de inicialmente identificar o tipo de “perna” que as tendências do ativo costumam fazer, ou seja, as do tamanho médio das oscilações de alta e baixa.

Uso bastante os conceitos de Elliott, mas mais para classificar o passado, do que para tentar prever o futuro. O que me interessa é poder contextualizar o mercado. Eu costumo dizer que se uma tendência de alta pode ser comparada a um prédio de 10 andares, então o analista tem que ter pelo menos uma noção de que os preços estão próximos do terceiro andar ou que já passaram do 9º andar, pois uma indicação técnica (i.e. o rompimento da reta suporte ou uma formação de engolfo de baixa no gráfico de candlestick) ocorrendo no terceiro andar é uma coisa enquanto que a mesma indicação ocorrendo acima do 9º é outra coisa bem diferente.

De fato o contexto em que ocorrem as indicações técnicas eu considero que é o que diferencia o analista Júnior do Master e, nesse sentido, os conceitos de Elliott, a teoria Dow e o simples uso das retas de tendência ajudam muito.

A propósito, eu não uso indicadores. Respeito quem usa, acho que muitos dos indicadores tem a sua valia, mas é preciso que o analista iniciante entenda que antes de sofisticar a sua análise técnica colocando vários indicadores disputando espaço com o seu gráfico de preços, na escassa área da tela do seu computador, é preciso que ele seja um bom analista técnico pois infelizmente, para nós mortais não está disponível um indicador que indique que deva-se comprar quando ele vem abaixo de 20 e vender quando o indicador estiver acima de 80. Se existisse um indicador que funcionasse com essa simplicidade, ele não custaria R$100,00 por mês e sim US$ 100 mil por mês ou mais.

O Índice da Força Relativa (IFR) que é um dos mais antigos, testados e populares indicadores, por exemplo se regulado para 9 períodos dá ótimas indicações mas com um pequeno detalhe sutil: Na tendência de alta o analista só pode acatar as indicações de alta e vice versa.

A conclusão é que para usar indicadores é necessário ser um bom analista técnico, saber, por exemplo identificar as tendências de curto médio e longo prazo que acontecem concomitantemente no ativo em questão, entre várias outras habilidades. Eventualmente, como já vi acontecer várias vezes, quando um analista “chega lá”, ele percebe que não precisa mais de indicadores que mais atrapalham do que ajudam.

Na área literária, destacaria algum livro de importância maior para a formação de um bom profissional?

Os dez livros que cuja leitura eu recomendaria fortemente ordenados pela prioridade que eu daria, a saber:

1. Edwards, R. D., and John Magee. Technical Analysis of Stock Trends. John Magee, Inc., 1997

2. Murphy, John J. Technical Analysis Of Financial Markets. A Comprehensive Guide To Trading Methods And Applications. New York Institute of Finance – 1999

3. Lefevre, Edwin. Reminiscences of a Stock operator, Traders Press, Greenville, SC. USA, 1985. Disponível em português com o título Memórias De Um Operador Da Bolsa.

4. Nison, Steve. Japanese Candlestick Charting Techniques. A Contemporary Guide to the Ancient Investment Techniques of the Far East, (N.Y. Institute of Finance, Nova York, 1991)

5. Elder, Alexander. Trading for a Living. Psycology. Trading Tactics. Money Management. John Willey & Sons, Inc., 1993.

6. Douglas, Mark. Trading in The Zone. Master The Market With Confidence, Discipline And A Winning Attitude. New York Institute of Finance – 2000

7. Rhea, Robert. The Dow Theory. Fraser Publishing Company, Burlington VT. USA, 1993.

8. Frost, Alfred J., and Robert R. Prechter, Jr. Elliott Wave Principle. Key to Market Behavior. New Classics Library, Gainesville, Georgia – USA 1995

9. Bernstein, Jacob. The Investor’s Quotient. The Psychology of Successful Investing in Commodities and Stocks. John Willey & Sons, Inc., 1980.

10. Wilder, J.Welles, Jr. The Adam Theory of Markets. Or What Matters is Profit. Cavida Ltd. McLeansville, N.C. USA, 1987.

Proporcionalmente poucos investidores operam a favor da tendência de baixa. O senhor acredita que essa cultura será mais bem difundida, possibilitando aplicações apostando nos padrões de queda?

De outubro de 2002 até maio de 2008 (quase 6 anos) o mercado de ações no Brasil praticamente só subiu, a queda de 2008 foi de apenas 6 meses e atualmente e depois de mais 1 ano de alta o Ibovespa está hoje, muito próximo do topo histórico de maio de 2008.

Com quase 10 anos de alta, não houve demanda para as ordens de venda e poucas Corretoras se preocuparam em dar o suporte (de back Office) para proporcionar aos seus clientes um controle decente das operações de venda (short).

Não tenho dúvida, entretanto, que na próxima tendência de baixa muitos clientes vão cobrar das corretoras um sistema de controle (“Back Office”) para as posições de venda mais amigável do que os que existem hoje. A Corretora que investir nisso certamente terá uma vida mais fácil quando o próximo “Bear Market” chegar para valer.

Quais os serviços oferecidos pela sua empresa e o que é o terminal Enfoque?

A Enfoque fornece os seguintes produtos:

• Terminal Enfoque que tem todas as ferramentas do Trader tais como gráficos cotações e notícias em tempo real além do envio de ordens diretamente para a Bolsa.

• Conteúdo para Sites Financeiros: Gráfico em Flash, telas de cotação, notícias, balanços, fatos relevantes.

• Cursos de Análise Técnica, Método ComStop, e Introdução aos Mercados

• Licenciamento e atualização de Banco de Dados

• Enfoque Feed: Fluxo de informação “streaming” da BMF e Bovespa, em Texto.

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Data: 25 de março de 2010 | Entrevistado por: Fernando Biondi

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10 Comentários

  1. Comments  Luis Leite   |  terça-feira, 27 abril 2010 at 4:27

    Muito legal a entrevista. Genérica e completa, demonstrando a qualidade e experiência do Fausto.
    Parabéns para o Blog!

  2. Comments  Luis Eugenio Scatolino   |  terça-feira, 27 abril 2010 at 4:29

    Muito boa a entrevista e o gráfico indicado ao final também é realmente muito interessante! Vários dados históricos com fotos. Parabéns pelo site e pela entrevista.

  3. Comments  FB   |  terça-feira, 27 abril 2010 at 4:31

    Scatolino e Leite,

    Agradeço os elogios à entrevista e ao Papo de Bolsa. Espero premiar os leitores com novas entrevistas valiosas no decorrer do ano.

  4. Comments  Mario F Scatigno   |  terça-feira, 27 abril 2010 at 4:32

    Botelho se mostra bastante pessimista com a bolsa em contraste com a maioria dos analistas fundamentalistas.

    Apesar dos fundamentalistas preverem que esse ano haverá muita volatilidade devido principalmente à crise na Europa e a necessidade de retirada dos estímulos econômicos, eles são otimistas em relação ao comportamento futuro da bolsa pelo fato dos mercados emergentes serem os mais propícios para crescimento.

    Vai ser interessante ver quem está certo…vamos esperar!

  5. Comments  Waldir Crema   |  terça-feira, 27 abril 2010 at 4:34

    Fausto Botelho tem um nome a zelar. Assume posições fortes, extremas na maioria das vezes. Não precisaria fazer isso, mas se o faz, certamente é para alertar, avisar e salvar justamente aqueles iniciantes arrogantes que se acham sabichões depois de fazer um trade de 10%. Espero que não o ignorem desta vez, pois os sinais de topo estão presentes.

  6. Comments  Fernando Biondi   |  terça-feira, 27 abril 2010 at 14:15

    Os comentários abaixo foram reproduzidos da primeira publicação da entrevista no Papo de Bolsa, que ocorreu no dia 25 de março de 2010. O Personalidades do Mercado foi disponibilizado aos leitores a partir do dia 26/04/10.

    FB- Papo de Bolsa / Personalidades do Mercado

  7. Comments  Rodolfo Hernandes   |  sexta-feira, 07 maio 2010 at 18:53

    Como que ele me defende a tese de que a bolsa vai cair com base num simples indicador de resistência e suporte?!!?
    Convenhamos, nem pra falar da formação de Elliott??!!
    Entre outros,ele poderia argumentar bem melhor.
    Deixou a desejar!!

  8. Comments  Lucas Moratto   |  terça-feira, 25 maio 2010 at 12:51

    Papo de Bolsa
    Parabéns pelo conteúdo da entrevista.
    O Fausto Arruda tem um conhecimento muito forte sobre o assunto adicionando a experiência.
    Tudo o que ele diz é baseado em algum padrão que ele observa não existe certo ou errado.
    Gosto muito das analises dele sempre com fortes “fundamentos” e sempre fico na expectativa de ver novos relatórios e entrevistas.
    Parabéns Fausto e Papo da bolsa

  9. Comments  FB   |  quinta-feira, 27 maio 2010 at 22:52

    Moratto, obrigado pelo incentivo.
    Agradeço em nome do Fausto e do Papo de Bolsa os elogios proferidos.

    Fernando Biondi

  10. Comments  abx3xlax   |  sábado, 07 agosto 2010 at 9:33

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